Ninguém para o Gim nacional*

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Portugal celebra o Dia Nacional do Gin Tónico a 27. O que muitos pensaram ser só uma moda tornou-se um fenómeno maior, reacendendo a paixão pelas bebidas destiladas e dando lugar a novas marcas portuguesas. Senhoras e senhores, eis o Gim «made in Portugal». * Sim, é verdade, em português Gin escreve-se Gim, com “m”.

Num espaço de um ano passámos de cerca de cinco marcas portuguesas de gim para mais do dobro. Só no último mês, até à data de fecho deste artigo, aproveitando o embalo de eventos como o GinTasting e o Lisboa Bar Show, foram lançados ou estavam previstos para breve seis novos produtos, com destaque para o Nautilus, de tripla destilação e aromatizado com algas (do mesmo produtor de O” Templus, que se diz ter sido o primeiro gim orgânico da Península Ibérica), o Mui Gin, uma criação do chef Hélio Loureiro que se baseou numa receita do século xix e lhe juntou botânicos de tradição portuguesa e especiarias das rotas dos Descobrimentos, o Cobalto 17, produzido no Douro, e ainda o Sharish Blue Magic, que, graças à adição de um poderoso pigmento natural azul, proveniente de uma planta herbal da Tailândia (a Clitoria), reage ao entrar em contacto com a água tónica e passa a rosa.

O seu criador, António Cuco, garante só existirem três no mundo que alteram a sua coloração, mas este Sharish, o quarto da linha de produção, é o único a mudar efetivamente de cor. Resultado: as primeiras 2500 garrafas não chegaram para tantas encomendas nas duas primeiras semanas de vendas.

Mas não era, afinal, o gin uma moda condenada a ser passageira? Alberto Pires, da Mojito Bar Catering e mentor do Lisboa Bar Show, onde as marcas de gin premium têm um papel de peso, é perentório:

“Nada vai substituir o gin. Nenhuma outra bebida vai conseguir ultrapassar o gin porque combinado com

água tónica é muito fácil de beber. Agora duvido é que o mercado continue a ter capacidade para absorver tanta marca nova…” Existem umas boas centenas de gins topo de gama oriundos de vários pontos do mundo e é com esses que os produtos portugueses estão a disputar o mercado. Carlos Alves, do coletivo Gin Lovers, que tem site, uma revista, organiza workshops, cria cartas para bares, promove degustações harmonizadas e congemina parcerias, como a que aconteceu recentemente com a geladaria Santini -, está otimista: «Há espaço para novos gins nacionais, até porque se nota uma grande evolução desde os primeiros e estão a surgir produtos muito interessantes e de estilos totalmente distintos. Numa prova cega dá para os distinguir e não se atropelam.»

Fonte: Diário de Noticias – “Evasões”

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